terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pedro Passos Coelho, o Banho, e a Vidinha.



Caras amigas e amigos,

Nas últimas semanas esta wall tem recebido milhares de posts, vindos de Portugueses de todo o mundo. Como imaginam, e especialmente num momento tão complicado, é-me impossível acompanhar todos eles, mas a minha equipa faz-me chegar muitos dos vossos posts e leio-os com atenção. Considero ser verdadeiramente importante conhecer as histórias e preocupações dos Portugueses reais, de modo a nunca me esquecer que as decisões difíceis que tomo medem-se não só em números e percentagens, mas em vidas e sacrifícios (1).

Desde que anunciei, no dia 13 de Outubro, as medidas mais duras do Orçamento de Estado para 2012, muitas têm sido as mensagens de frustração ou desespero que li nesta página. Mensagens como a da Ana Isabel Albergaria que escreveu “ Exmo Sr Primeiro Ministro. Votei no senhor e ainda acredito que está a fazer o melhor que pode e sabe. Preciso muito da sua ajuda. É sobre o meu orçamento familiar. Até aqui o ordenado nunca chegava ao fim do mês. Era com os subsídios de natal e férias que eu conseguia equilibrar as finanças, pagar seguros, contribuições, irs, ou outra despesa extraordinária, como um par de óculos. Já cortei tudo... mas as despesas não essenciais. Tomo banho só uma vez por semana, só acendo uma lâmpada, dispensei a mulher a dias, só saio no carro em casos extremos (2). Não sei mais onde cortar e o dinheiro não chega. Por favor diga-me o que hei-de fazer para poder continuar a pagar as obrigações ao Estado. Estou desesperada (3). Agradeço que me ajude e dê sugestões de como equilibrar as minhas finanças.”

Como a Ana Isabel, muitos de vocês estão assustados com o desafio que temos de enfrentar. Mas acredito também que, por mais que estes sacrifícios nos custem, sabemos hoje que não podemos mais fechar os olhos aos erros do passado (4). O momento de rescrever o futuro dos nossos filhos é agora e eu acredito que vamos consegui-lo.

Felizmente tenho descoberto também nesta plataforma que muitos são os Portugueses que acreditam. Homens e mulheres inspiradores que não baixam os braços. E usando as palavras de um deles – um redactor de Oeiras chamado Richard Warrell, filho de mãe portuguesa, que escreveu “Chega. Chegou a minha hora. Vou acordar todos os dias e vou pensar no que vou fazer hoje para que amanhã seja melhor. Vou gastar menos em coisas supérfluas e mostrar aos meus filhos que é assim que deve ser (5). Vou educá-los de maneira a não caírem nos mesmos erros da minha geração e das anteriores. Esse será o meu legado e o melhor que todos podemos fazer. Estamos a desperdiçar o presente. Asseguremos o futuro. Por mim, o fim acaba aqui. Este barco não vai ao fundo.”

À Ana Isabel, ao Richard e a todos os que aqui escrevem diariamente peço que não deixem de acreditar.

As dificuldades existem e têm de ser enfrentadas. Mas vale a pena enfrentá-las e ganhar força para as ultrapassar. Trata-se também de uma oportunidade para fazermos as coisas de modo diferente para futuro. Estaremos não apenas a corrigir erros do passado mas sobretudo a construir uma perspectiva de futuro bem mais digna para os nossos filhos e para nós próprios (6).

Juntos, com trabalho, vamos conseguir.

Pedro Passos Coelho, no facebook.


O negrito é da minha responsabilidade, bem como os (números entre parênteses). Pedro Passos Coelho brindou-nos com este belo presente de Natal antecipado, uma verdadeira pérola, demasiado valiosa para não a guardar bem guardada. Por isso, antes que a conta no facebook, ou a publicação em questão desapareça, decidi copiá-la para aqui. E permito-me também fazer os meus comentários:

(1) Ainda bem que quando Sua Excelência toma decisões as mede também em vidas e em sacrifícios; também faz gráficos com as vidas que acabou de tramar? Já estou a imaginá-lo a dizer: «Ainda temos margem para acabar com mais dois ou três milhões de vidas» e «Esse milhão de vidas que escapa com esta medida, pode muito bem suportar mais cinco ou seis sacrifícios».

(2)(3) Até pode haver uma alminha chamada Ana Isabel Albergaria. Não é um alter-ego seu? Não é o Miguel Relvas a sussurrar-lhe ao ouvido? Olhe, a não ser que ma apresente, não acredito. Sabe, não tenho fé. Será que há alguém assim tão parvo, tão idiota, que chegado a uma situação em que só toma banho uma vez por semana [em tempos li um conto onde se dizia que as Portuguesas cheiravam mal, não sei se o Senhor Primeiro ministro corrobora isto - que conto?, sei lá - se não foi escrito pode muito bem vir a ser, ou pensa que o senhor é o único com imaginação?], como dizia, uma alminha chega a uma situação em que só toma banho uma vez por semana, só acende uma lâmpada, dispensou a mulher-a-dias (meu deus, a mulher-a-dias!), e só sai de carro em casos extremos! E qual a preocupação desta alminha? A verdadeira preocupação desta alminha é poder continuar a pagar as obrigações ao Estado! Que desespero, meu deus! Ao que isto chegou, Senhor Primeiro-Ministro! Mas o senhor está a tentar gozar com os Portugueses, ou com a inteligência dos Portugueses, Senhor Primeiro-Ministro?! Então uma alminha anda pelas ruas, fedorenta, a pé ou nos transportes públicos a cheirar a suor, e tudo isto porquê? Para pagar ao Estado!

(4) Chega! Chega Senhor Primeiro-Ministro de justificar os seus erros, as suas decisões [com gráficos a medir as vidas dispensáveis e os sacrifícios sádicos], enfim - as suas ideologias - com os erros dos outros. Então o Senhor Primeiro-Ministro quer convencer-nos a pensar no futuro, a olhar para o futuro, a reescrever (sic) o futuro, e passa o tempo a falar do passado! É o Senhor Primeiro-Ministro que vai ao volante, páre de olhar para o retrovisor, não vê o muro, desculpe, queria dizer a wall, que tem à sua frente? E olhe, o futuro não se reescreve. O futuro escreve-se.

(5) Tinha que ser um Estrangeiro - filho de mãe Portuguesa - a dar o tom moralista? Não podia ser uma tia de Cascais. Deixe-se de moralismos. Olhe que não somos todos Provincianos. Aliás, aqui na Província já quase não há ninguém - por vontade própria, ou à força, deixaremos todos de ser Provincianos.

(6) O seu modelo de dignidade intriga-me. Pobres, mas honrados. Que para ladrões estão lá os políticos e os banqueiros. Ou vice-versa. Deixe-se de arquitecturas estrambóticas. E se ainda tem um pingo de dignidade, demita-se, e leve consigo o fantoche. Ou é o senhor que é a marionete?


Adenda (22/11/2011, às 04h34m): Afinal o Richard Warrell existe mesmo. Começo a ficar preocupado! Será que a Ana Isabel Albergaria também existe?! Por vezes a realidade enfeita-se de ficção... Enfim, se existe mesmo uma alminha chamada Ana Isabel Albergaria, talvez isso me ajude a compreender, ou a entender, ou sei lá, como dizia a outra, a entender certos factos. Oh meu deus, a estas horas da madrugada quantas Anas Isabéis Albergarias suspiram no seu sono mal dormido, cogitando no pratinho de sopa que não comeram para pagar as suas obrigações ao Estado! [Espero por novos desenvolvimentos. A existir essa tal de Ana Isabel Albergaria, deve ser dali de ao pé de Aveiro,  deve ter aquele destilado sentido de humor, aquela refinada ironia, que falta aos Portugueses - humor bacoco não conta.]

Pesquisei no facebook o nome Ana Isabel Albergaria e não encontrei ninguém com esse nome. Mas existem quatro «Ana Isabel Albuquerque».

Post-Scriptum: Vale a pena relembrar o seu Curriculum Vitae, Senhor Primeiro-Ministro.

6 comentários :

  1. Isto é simultâneamente tão infantil e tão cretino, que chega a parecer surreal.

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  2. é verdade que o PPC escreveu no seu blog, ainda que entre aspas, 'só tomo banho uma vez por semana'? ou foste tu que, dando largas ao teu talento humorístico, inventaste este texto?
    too good to be true :)

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  3. innersmile, o texto citado é exactamente aquele que foi escrito por PPC (ou outra pessoa escreveu por ele), no facebook, no link indicado! Abraço.

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  4. Pinguim, é o PM que temos. É o que merecemos?! Enquanto indíviduo digo já que não, que não mereço isto! Enquanto País, temo que seja isto que merecemos... Triste fado, triste sina...

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  5. Gostei desta frase: " O seu modelo de dignidade intriga-me. Pobres, mas honrados. Que para ladrões estão lá os políticos e os banqueiros. Ou vice-versa."
    É o velho "Portugal" salazarento: pobres mas honrados (os desgraçados a quem roubam..., na "casinha portuguesa" a comer o caldo verde e...contentes!
    "Enfim, enfim, dôtôra", como dizia a minha cozinheira Milita, em São Tom, a protestar com os filhos!
    Abraço

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  6. MJ Falcão, é um Portugal salazarento sim... e reparei agora que rima com fedorento e bolorento... Há uma luta que só ainda agora está a começar. E a cada diz que passa torna-se mais claro contra quem e contra o que é que temos que lutar... (Isto lembra-me aqueles vilões que nas histórias infanto-juvenis estão sempre a voltar, nunca se dando por derrotados. Esperemos que como nos livros vão, de derrrota em derrota, até à derrota final).

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