terça-feira, 4 de outubro de 2011

A derrocada do Euro numa metáfora futebolística

 A Zona Euro, ou Eurolândia, como é apelidada pelos adeptos, é uma equipa constituída por 17 jogadores, que está em negociação com outros 7. Pretende deste modo chegar ao número ideal de 24 jogadores.

Dentro de campo, estão assim distribuídos: à baliza o ágil guarda-redes Irlanda, famoso pelas defesas impossíveis. No centro da defesa estão dois gigantes com quase dois metros de altura, Itália e Espanha. Itália mais lento, mas com uma cultura táctica superior que lhe permite ler os movimentos dos adversários, e Espanha mais rápido, com frequentes investidas no ataque. As laterais são ocupadas por Portugal e Grécia, dois laterais lestos, capazes de trocar os olhos a qualquer defesa quando estão no ataque, e de aparecer no caminho dos avançados quando já ninguém conta com eles. Tanto jogam à esquerda como à direita, alternando frequentemente entre si.



O meio campo é composto por Alemanha e França. Alemanha, um trinco rápido e possante, que tanto compensa as saídas da defesa para o ataque, como segura o jogo, ou transporta ele mesmo a equipa para o ataque. França, por seu lado é um médio-centro criativo, um número 10 por excelência, com uma precisão no passe e uma habilidade com a bola, que lhe permite revolucionar qualquer jogo, fazendo passes a rasgar as defesas, ou aventurando-se com a bola até à baliza adversária. Tanto França como Alemanha têm um portentíssimo remate de longa distância. Os médios direito e esquerdo são Holanda e Bélgica. Tal como Portugal e Grécia, tanto podem jogar à direita como à esquerda, posições em que alternam. São dois médios rapidíssimos, com um aspecto algo franzino, que engana os adversários. Com poder de aceleração fantástico, drible estonteante, centros precisos, e remates colocadíssimos, são o terror dos defesas adversários, e líderes de assistências. Têm um enorme entrosamento com os meio-campos França e Alemanha. Na frente jogam o ponta-de-lança esquivo Finlândia, e o avançado consistente Áustria. A equipa é capitaneada por Alemanha.

No banco de suplentes estão sentados Chipre, Eslováquia, Luxemburgo, Malta, Eslovénia, e Estónia. Estão dadas como certas as transferências de Bulgária, Polónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Hungria, e República Checa, para a equipa. Porém, como se sabe no futebol, enquanto o mercado de transferências não estiver fechado não há certezas.

Os jogos de preparação começaram a correr às mil maravilhas, os adeptos vibravam, e a equipa estava motivada; jornalistas e comentadores desportivos esgrimiam-se na busca do melhor adjectivo para classificar esta equipa fantástica, e os adversários cerravam-se em temor e silêncio, temendo a hora em que teriam que a defrontar. Entretanto o campeonato começou. As exibições não foram tão fulgurantes quanto o exigiam as expectativas, mas era preciso dar tempo a uma equipa que se renovara totalmente, e que ainda não tinha o plantel fechado. Os resultados não eram tão dilatados quanto pediam os adeptos, mas as vitórias mais ou menos tangentes sucediam-se.

Até que começaram a surgir as derrotas. Primeiro culpou-se o guarda-redes; o fantástico Irlanda estivera mal colocado num primeiro lance, tendo deixado entrar uma bola fácil; nem a equipa nem os adeptos gostaram, mas o jogo continuou. Irlanda, cada vez mais nervoso, acabou por sofrer um frango monumental, pondo a nu as fragilidades dum guarda-redes que se pensava imbatível.

Novo jogo, novas falhas, o guarda-redes Irlanda lá vai defendendo o que pode, mas nem Grécia nem Portugal parecem inspirados: na defesa os avançados que lhes aparecem pela frente passam por eles com facas a cortar manteiga derretida, e quando sobem para o ataque, perdem-se em fintas e jogadas inconsequentes. O capitão Alemanha é que não está a gostar nada da brincadeira, deu-lhes um puxão-de-orelhas, e mandou-os recuar para defesa e que se deixem estar lá quietos. Portugal, que começou o jogo na esquerda, trocou com a Grécia que havia começado na direita, mas a troca de posições não parece dar resultado.

Mas não é só a defesa que está em baixo de forma. No meio-campo, Bélgica está estoirado, já não corre, não remata, nem motiva os avançados com os seus centros milimétricos, que saem todos desastrados. Numa palavra, Belgica está completamente partido. Do outro lado do campo, Holanda tenta levar o jogo para a frente, mas Áustria e Finlândia fartam-se de acertar nos postes, e perdem mais tempo a discutir com os companheiros que concentrados no jogo. Entretanto, com a ajuda de França, Alemanha vai segurando o jogo a meio-campo, mas França não anda inspirado, e está tão dependente das bolas que recebe de Alemanha, que poucas oportunidades tem de fazer jogadas criativas que lhe permitam furar a defesa da equipa adversária. 

Os ataques adversários sucedem-se. No centro da defesa, Itália e Espanha estão em francas dificuldades, dificuldades que tentam disfarçar a todo o custo. Mas a qualquer momento podem estoirar, e não há ninguém no banco que os possa substituir. Além de mais, os dois defesas-centrais já têm cartão amarelo. Eles, o guarda-redes, e os defesas laterais. Neste momento todos eles jogam a medo. Com a sucessão de faltas que têm vindo a cometer, podem ser expulsos a qualquer momento. Portugal e Grécia já fizeram mesmo faltas mercedoras do segundo amarelo e consequente expulsão. O árbrito tem estado permissivo

Estão num jogo decisivo; se o perderem dificilmente conseguirão lutar pelo título. Mas tudo corre mal. Os jogadores discutem entre si. No banco de suplententes não há jogadores que possam tomar-lhes o lugar. E a jogarem assim, não se sabe se os jogadores apontados à equipa ainda aceitarão vir. Os adeptos nas bancadas estão silenciosos, mas teme-se que a qualquer momento se revoltem contra a equipa. A táctica, está mais que visto, não funciona. Há que fazer alterações. Os jogadores olham uma e outra vez para o banco de suplentes como que a pedir time-out. Mas toda a gente sabe que no futebol, como na vida, não há time-out.

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