sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Desempregados

Desemprego, Desempregado, Chômage, unemployment, Desempleo

E agora faço parte da horda dos desempregados. Que fazer, com todo o dia à nossa frente? Sentamo-nos numa escadaria qualquer ou em qualquer canto de um imundo passeio. Os passeios são como tapetes desfiados que esperam por nós depois de uma sessão atroz de comida asquerosa e de bebida purgante: a noite passada os deuses do clima afogaram as suas mágoas, e depois vomitaram de dez mil metros de altura. Passamos horas e horas transidas e perplexos nos parques, rodeados de flores de castas inferiores. Ufa (pensamos nós), que a vida custa a passar! Atingi a maioridade nos anos 60, quando havia oportunidades, quando tudo parecia estar à nossa espera. E agora a malta vai deixando a escola para... para quê? Para nada, para o caralho.

Martin Amis, in Money.

Ora aqui está uma bela descrição dos tempos que correm. Uma descrição dos anos 80, quando em Inglaterra era o que acontecia. Agora voltou. Voltou em força, e já não é apenas na Inglaterra. Austeridade, dizem eles. Os papagaios, como lhes chama Martin Amis, a certo ponto da narrativa. Os papagaios que tem uma resposta para os problemas todos que a Europa atravessa. E que resposta é essa? Pego outra vez na resposta de Martin Amis: nada. Os papagaios estão perdidos, perdidos como os povos para quem papagueiam. Porém os papagaios têm alimento, os papagaios têm casa, carro, e chauffeur, os papagaios baixam os seus salários para aumentarem as suas regalias. E o que deixam de receber em dinheiro passam a receber... em dinheiro. Mas não há dinheiro, e os desvios, buracos, rupturas, aparecem a cada curva. É levar ao banco dos réus os responsáveis pela construção de tão ruinosa estrada! Mas a estrada para os levar é tão sinuosa, que eles acabam por nunca chegar. E assim morre o povo à fome, e os papagaios papagueiam impunes e empertigados.

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