quarta-feira, 21 de setembro de 2011

De todos nós aquele



De todos nós aquele
em quem depositávamos
esperanças que teria
mais que um nome cravado
numa lápide sombria
ou num livro do registo civil
arrumado numa prateleira.

De todos nós aquele
de quem esperávamos
que no futuro seria
o nosso brilho nos olhos
nas conversas de café
nos frios invernos
nos quentes fins
de tarde de verão
numa esplanada
ou junto ao balcão.
Na troca de palavras
com um empregado
um colega de trabalho
ou um de nós que viesse
visitar-nos num serão.

De todos nós que tantas
esperanças tínhamos
que tantos sonhos tanta
imaginação possuíamos
cravada em nós como
um corpo que viola
outro corpo à força
de nos agarrarmos à vida.

De todos nós, aquele
em quem confiámos
as nossas esperanças
acabou como todos nós.

Com um tiro de caçadeira
saindo furioso pela nuca.
Ao menos, de todos nós,
tu tiveste a coragem
necessária para admitir:
- Basta! Não irei a lado nenhum!



Poema de André Benjamim.

Post-Scriptum: Índice de Suicídio aumentou 40% na Grécia. E como é que isto se combate? Com a polícia... «Pára senão disparo!» dirão os agentes!

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