sábado, 2 de julho de 2011

Amigo - Poema de Alexandre O'Neill


Ando um pouco sentimental, desde que há algumas semanas, graças ao facebook, reencontrei amigos com quem já não tinha contacto, em alguns casos, há cerca de 15 anos. Desde que completei o 9.º ano de escolaridade, num colégio interno, para ser exacto, e para dar ideia do motivo. Éramos de pontos distantes do País, alguns foram mesmo para o estrangeiro, onde tinham os pais e, numa época em que a internet dava os primeiros passos, nenhum de nós tinha e-mail, ou telemóvel. Ficámos, é certo, com os telefones fixos, de quem os tinha, e com os endereços - não os electrónicos, mas aqueles para onde se mandavam cartas, escritas à mão e tudo, com selo por fora - porém, por esquecimento ou preguiça, acabámos por perder os contactos. E quando penso em amizade, há sempre um poema que vibra dentro de mim, e que lhes dedico:


Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca

6 comentários :

  1. Este é um poema admirável verdadeiro, apaixonado, AMIGO, que comeu à nossa mesa. Em nossa casa."Amigo" é a solidão derrotada".

    Um abraço, meu Amigo.

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  2. Um "amigo" bem à medida de O'Neill

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  3. Manuel Poppe e Pinguim, muito obrigado pelos vossos comentários amigos. Quanto ao poema, penso que não precisa de ser comentado, ele vale-se a si mesmo. Um forte abraço, meus amigos.

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  4. Por mero acaso, pousei os olhos neste blog e neste poema que conheço muito bem. O meu pai e o Alexandre O'Neill eram grandes amigos.Este poema foi dedicado ao meu Pai.Foi, por isso, uma feliz coincidência passar por aqui. O meu pai faleceu muito novo e deixou muitas saudades.
    Gostei muito da sua introdução ao poema. Comigo tambem se passou o mesmo. Graças ao Facebook, estou a reviver e a rever amigos que não via desde o tempo do Liceu Pedro Nunes. Digam o que disserem, o Facebook tem sido uma sala de convívio muito util.
    Muito obrigada.
    Joana Vaz Raposo Vidoeira

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  5. Joana, obrigado pela visita, e obrigado pela partilha. Sendo este poema dedicado ao seu Pai, tenho a certeza que foi uma grande pessoa, e um grande amigo do Alexandre O'Neill. Só uma grande amizade podia inspirar um poema tão belo, onde a amizade parece escorrer das palavras, como se fosse algo físico que se pudesse agarrar.

    Sim, o facebook é uma invenção que veio revolucionar a maneira como nos relacionamos.

    Um vez mais, obrigado pela partilha. Beijinhos.

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