sábado, 31 de dezembro de 2011

Um Feliz e Próspero Ano Novo


Todos os coelhos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros. Guisem o coelho antes que o coelho vos guise a vós.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Chocolate não é prenda!... Nem presente!



Para desfazer a confusão que todos os Natais teima em acontecer: fonte próxima do Pai-Natal confirma que chocolate não é prenda (nem presente, não tentem escapar-se trocando o substantivo). Chocolate pode ser comprado em estações de serviço, pode ser oferecido na Páscoa, embora seja mais adequado para o Dia dos Namorados (dizem que é afrodisíaco), pode ter a forma de árvore, de coelho, de pai-natal, de dildo, ou de coração (em vários tamanhos e feitios), e pode derreter no percurso do supermercado para casa. Chocolate pode até ser adquirido no café da aldeia, da paróquia, da freguesia, ou da associação cultural, recreativa, desportiva, e social. 
Chocolate pode (e deve) ser oferecido em conjunto com a prenda ou presente. Mas não é por si só presente ou prenda! Não percam, portanto, tempo a embrulhá-lo, ou ofereçam-no no mesmo embrulho da prenda ou presente.

Coca-Cola: Razões para acreditar num mundo melhor?



Visto no Aventar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

A Fogueira no Adro da Aldeia



As batidas ledas do sino espalham-se pelo adro festivo, envolvendo a fogueira dolente, prosseguem até aos limites obscuros da aldeia, e continuam para além dela. Homens sisudos olham as labaredas fulvas, de mãos nos bolsos. Estalidos quentes irrompem pelo espaço cónico, que durante a tarde os rapazes da aldeia ergueram, feito de troncos de pinheiro e raízes de velhas oliveiras. Crianças irrequietas saltitam por ali, indiferentes a tudo. Um rapazito puxa pela aba do casaco do pai.
– Amo-te – “A – mo – te”. Ouvia o eco límpido das três sílabas, distintas, desventrando a noite (e a vida) como relâmpagos. Tinha a certeza que sim. A memória não o enganava. Não aquela memória límpida e cristalina. Já passaram anos. Mas como poderá algum dia esquecer esta simples palavra, estas três sílabas lúcidas. Tinha a certeza que fora esta a palavra proferida anos antes. «Mas o que é dizer?» Pensava para si mesmo. Afinal, as palavras são ocas. As palavras não trazem consigo o objecto a que se referem. Qual a diferença entre uma palavra sedutora, que nos enche e ilumina, mas que não têm qualquer substância, e outra, que ainda que seja uma profunda expressão da alma, não provoca qualquer ressonância em nós? As palavras são meras pontes, janelas que se abrem sobre o horizonte, não trazem consigo os automóveis que as atravessam, nem os pores-do-sol dourados. Ouviria aquele eco antigo até ao último soluço de vida. Aquela palavra, sedutora entre as sedutoras, que como todas as outras, retiradas todas as contingências e idiossincrasias, não é nada mais que o som produzido pelas cordas vocais, e refinado entre a ponta da língua, o céu-da-boca e o ligeiro toque nos dentes – ou o traço, mais ou menos arredondado, da tinta sobre o papel.
Era Natal. Mais um Natal frio, na aldeia. Há quantos anos se reuniam ali aqueles homens? E quantos antes deles, foram pelos campos granjeados, em busca de velhos troncos? Quantos depois dele viriam? «Poucos» Pensava. Quanto tempo falta para que a aldeia deixe de existir na memória dos seus habitantes, e comece a desaparecer entre os papéis pardos dos burocratas, ou entre os zeros e uns informáticos? Pela uma da manhã o adro dorme solitário, tremendo sob o lume crepitante. O vento zurze entre os galhos da tília, e o ar começa a arrefecer. A noite torna-se mais escura, coberta de espessas nuvens. Começa a nevar. A princípio, flocos minúsculos de neve, quase invisíveis, que se desfazem de imediato ao tocar o chão. Depois, durante minutos, vão ganhando consistência; deixam de ser transparentes, transformando-se em flocos alvos, que descem em espirais, em torno da fogueira, confundindo-se com as faúlhas apagadas que terminam o seu voo.

 Imagem: Pauline Baynes

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natal! Merry Christmas! Joyeux Noël! ¡Feliz Navidad!


Merry Christmas! Joyeux Noël! ¡Feliz Navidad! Feliz Natal!


Embora tenha dito aqui que não voltava a desejar-vos um Feliz Natal este ano, porque já o fizera, não resisto a vir aqui novamente desejar-vos Feliz Natal: porque um amigo me enviou a imagem acima para o e-mail, e decidi partilhá-la: digam lá se não dava um bonito postal!? Uma árvore de Natal como eu queria que fosse a minha... Ainda não perdi a esperança de receber no sapato (ou será na meia, ou na peúga?) uma enorme pilha de livros - ia dizer resma, mas resma é para folhas, ou para dizer quinhentos, e quando pedimos muito, devemos pedir mesmo muito: uns cinco mil livros já me satisfaziam. Se quiserem enviar, podem enviar em Castelhano, Inglês, Francês, Português do Brasil, ou Português correcto. Dispenso coisas em Português Novo-ortográfico. Um Bom Natal a todos os que aqui vêm regularmente, esporadicamente, ou enganadamente.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

KIT de Emigração do IEFP/MNE*


(Imagem encontrada há dias no facebook)

Kit de Emigração, produzido em parceria pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Ministério dos Negócios Estrangeiros, com o Alto-Patrocínio de Suas Excelências, os governantes deste país. 

Dum Primeiro-Ministro, dum Ministro dos Assuntos Parlamentares, dum qualquer Secretário, ou sub-sub-sub-sub-Secretário de Estado dum qualquer Ministério, espera-se que não diga o óbvio. Que não empurrem os cidadãos para uma qualquer torrente mas que, pelo contrário, os resgatem dessa mesma torrente. Quando um Governo diz que não tem soluções, diz da sua incompetência, mostra a sua impotência, torna-se irrelevante. Se um Governo se diz incapaz de cumprir as funções para as quais foi eleito, resta-lhe demitir-se. Claro que este Governo, como um qualquer funcionário mandrião que foi colocado numa qualquer função para a qual não tem jeito, habilitações, ou talento, espera que ninguém repare neste pormenor. Um pormenor que é um pormaior.

Emigrar tem que ser uma decisão pessoal, ponderados os prejuízos e os benefícios que daí advirão, pelo próprio. Dum Governo espera-se que tente (ao menos que tente) encontrar soluções para os cidadãos do país que governa, que são quem o elege. E que deixe de se intrometer nas decisões pessoais de cada um. 

A mim, mero cidadão isto é permitido: sim, saiam daqui, saiam daqui o quanto antes, e enquanto ainda podem. Mas livrem-se de meter um cêntimo que seja neste jardim putrefacto. (Inquérito no facebook: pensam emigrar de Portugal em 2012?)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedro Passos Coelho, emigra!

Carta de Myriam Zaluar ao Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho

Pode ser encontrada AQUI. Tomei a liberdade de copiar integralmente. Subscrevo. Também «Com o mais elevado desprezo e desconsideração»


Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Kim Jong-il: Quem se Julgou Ele?


Aposto que pensava que era imortal! Foi-se! Agora é só dar com um Martelo no Kim Jong-un.

Foto: Reuters. Notícia Público.

Mensagem de Boas Festas



É só a mim que dá asco ouvir estas criaturas de deus?!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Crítica Poética Fatal



Tinha uma crítica poética fatal preparada para o acidente poético fatal, de Américo Rodrigues, mas depois pedi um autógrafo ao autor, e o autógrafo arruinou a minha crítica por completo. Como vi o livro ainda ele era só cadernos acabados de dobrar, depois de imprimidos, e capa por dobrar, ia afirmar que este era um caso de badanas ao contrário: tinha badanas a mais, badanas que eram quase outra capa. Porém o autor desmanchou a minha crítica todinha, autografando o livro na badana: um acidente fatal para esta minha teoria.

chamo-me
américo rodrigues
e acabo de matar-te
como te chamas?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Teorias da Crítica Literária


Há um ponto em comum entre todas as teorias da literatura: todas estão erradas. Não seriam teorias se o não estivessem. Eu próprio tenho as minhas mas prefiro entreter-me com as dos outros. E ignorá-las a todas.

Para fazer a crítica literária do livro Teorias, de manuel a. domingos, vou testar uma teoria que inventarei depois, que agora estou um pouco cansado. E para experimentar um livro, nada melhor que levá-lo a tomar café. Se servir para recusar um jogo de sueca, é um bom livro. Se conseguir monopolizar a conversa entre os amigos que se sentam à mesa, é um óptimo livro. Se provocar suspiros e espasmos, por esta ordem ou pela ordem contrária, às amigas, é um péssimo livro: poderá não ser nada conveniente afirmá-lo. Mas também não convém entrar muito na conversa, pois correr-se o risco de se ficar para sempre preso dentro da conversa. Neste ponto cada investigador literário deverá adaptar o seu discurso às suas pulsões e intenções. O grande inconveniente para testar um livro de acordo com estas regras, é que é preciso ter amigos. E amigas.

A primeira amante
ensinou-te a diferença
entre ode e epopeia

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Curriculum de Ladrão - Momento Google/Sitemeter


Procurou no Google, ou googlou, como se diz em linguagem googleana, «curriculum de ladrão» e foi parar a este post. Às vezes o Google lá acerta em cheio, mesmo sem querer. Que quereria encontrar mesmo? Até para ladrão já é preciso «curriculum vitae»? Uma cunha junto do chefe do bando, grupo, ou gang, já não basta? «Ladrão» não é um profissional liberal e independente? É preciso enviar CV para uma organização, empresa, ou corporação? E é preciso estar inscrito na Ordem? Tem que se pagar cota ao Sindicato? Desconta para a Segurança Social e paga o IRS?! Tantas dúvidas que me assaltam!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Passaporte



O passaporte que se vê na imagem é uma digitalização do meu primeiro passaporte, alterada com um rudimentar programa de edição de imagem. Nesta imagem, resta a minha data de nascimento e pouco mais. Perdoem-me, mas os outros dados são meus. E assim já não têm desculpas para não me oferecer livros.

Custou-me desfazer-me deste passaporte: ele representava um dos meus maiores arrependimentos, senão o maior. Havia acabado os exames do secundário, tinha 18 anos. Preciso dizer porque é que gastei uma pequena fortuna, junta com o que poupava da parca semanada? A semanada era suposto que fosse para comer um bolo ou uma sandes, e beber um sumo ou um galão, a meio da manhã, um segundo pequeno-almoço que tão bem saberia a quem saía tão cedo para as aulas... Mas que eu dividia assim: metade era para juntar para fazer o passaporte quando tivesse 18 anos, a outra metade era para jogar no totoloto, que naquela altura levava nome, não o meu, que era menor, pois claro.

Durante seis ou sete longos meses esperei pelo dia em que poderia emigrar, e depois fiquei. Há 12 anos, como hoje, Portugal já não me dizia nada. Era apenas o quadrado onde estavam as pessoas que conhecia*, que por sorte ou azar me calharam como família, amigos, ou outra coisa qualquer, que a maioria das vezes as pessoas que conhecemos são difíceis de definir. Percebem o meu arrependimento?

Não vou cometer o mesmo erro uma segunda vez.


*Post-Scriptum: Onde estão os amigos que então me diziam «não vás, vamos ter tantas saudades»? E que dizer da família que dizia que tinha que continuar a estudar e agora diz «andaste a estudar para nada»?

Diáspora - διασπορά



O termo diáspora (em grego antigo, διασπορά – "dispersão") define o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas. (in. Wikipédia)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Perigo de colisão de um meteorito com a Terra


Foi descoberto um meteorito em rota de colisão com o planeta Terra. O embate poderá acontecer nas próximas horas; os cientistas económicos, fazedores-de-opinião, e tudólogos, prevêem que o meteorito, a que decidiram chamar «Euro» cairá algures sobre Bruxelas, podendo originar uma cratera do tamanho da Europa. Não existe qualquer plano de contingência para retirar os habitantes desta zona do Planeta Terra. Especialistas consultados defendem que tal seria um desnecessário esbanjar de recursos financeiros, em tempos de austeridade, uma vez que não há qualquer garantia que outras partes do globo não sejam afectadas. Indiferentes a tudo isto, os líderes políticos reunem-se para jantar, os especuladores negoceiam nos mercados, e em Inglaterra fazem-se apostas. A Oeste nada de novo. As vidas dos Outros que se fodam.


Imagem daqui.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Fim Do Euro!


O Euro acaba até ao final do ano [2011]?!

A visão do The Economist, do El País, O «aviso» da Moody's [Público], Días Cruciales (Editorial do El País), O Fim do Euro já tem data marcada? [Económico], Fim do Euro depreciaria em até 58% moedas do bloco [aqui], Empresas sem Plano B para o fim do Euro [Jornal de Negócios], Colapso do euro pode custar metade do PIB a alguns países [Agência Financeira], Alternativas para proteger as poupanças do fim do euro [Jornal de Negócios], Europa mais preocupada com o fim do euro [Agência Financeira], ECOFIN alertado para cenário do fim do euro [RTP/Antena 1], O fim da moeda europeia é hipótese a ter em conta [Jornal de Angola], Valor das novas moedas nacionais, após ruptura do Euro [AQUI], [em actualização].

Aceitam-se apostas: de preferência em Francos Suiços!

Post publicado originalmente a 28 de Novembro de 2011. Alterada a data para 07 de Dezembro de 2011, com notícias actualizadas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Valor das Moedas Nacionais, após ruptura do Euro

(cliquem na imagem para ampliar)

E se o Euro acabar de facto? Neste gráfico, uma estimativa dos valores das Novas Moedas Nacionais relativamente a 1 dólar, num cenário de ruptura do Euro. 1€ vale actualmente 1$34 USD. Vejam o histórico de cotação do euro relativamente ao dólar.

E o que acontece com os contractos em Euros? Serão automaticamente convertidos para a nova moeda nacional («Escudo»?)

Fonte: Nomura; visto no FT/ALphaville.

acidente poético fatal (II)


AMÉRICO RODRIGUES nasceu em 1961 na Guarda. Licenciado em Língua e Cultura Portuguesa (ramo cientifico) pela Universidade da Beira Interior e Mestre em Ciências da Fala pela Universidade de Aveiro. É autor de diversas publicações, tais como Na nuca(1982), Lá fora: o segredo (1986) A estreia de outro gesto (1989), Património de afectos (1995), Vir ao nascedoiro e outras histórias (1996), Instante exacto (1997), Despertar do funâmbulo (2000), O mundo dos outros(2000), Até o anjo é da Guarda (2000), Panfleto contra a Guarda (2002), Uma pedra na mão (2002), Obra completa – revista e aumentada (2002), O mal – a incrível estória do homem-macaco-português (2003), A tremenda importância do kazoo na evolução da consciência humana (2003), Escatologia (2003), Os nomes da terra (2003), A fábrica de sais de rádio do Barracão (2005), Aorta Tocante (2005), O céu da boca (2008), Escrevo-Risco (2009) e Cicatriz:ando (2009).

Foi coordenador dos cadernos de poesia Aquilo, do boletim/revista Oppidana, co-director da revista Boca de Incêndio, coordenador da revista cultural Praça Velha e da colecção de cadernos O fio da memória. Foi colunista de vários jornais. Foi-lhe atribuído o Prémio Gazeta de Jornalismo Regional e o Prémio Nacional de Jornalismo Regional. Em 2010 recebeu a medalha de mérito cultural atribuída pelo Ministério da Cultura. Director do Teatro Municipal da Guarda. Foi animador cultural na Casa de Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ (desde 1979 até 1989) e na Câmara Municipal da Guarda (desde 1989), onde coordenou o Núcleo de Animação Cultural. Escreve no blog Café Mondego.

acidente poético fatal será apresentado dia 17 de Dezembro de 2011, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda). A apresentação será feita por Pedro Dias de Almeida. Às 23 horas, no Café Concerto do TMG, o autor lerá alguns poemas do livro.

Esta merda tem de acabar - Jacques Fresco


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ricos & Pobres


Portugal é um dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde a diferença entre Ricos e Pobres é maior: os 20% mais ricos têm rendimentos 6,1 vezes superiores aos dos 20% mais pobres

No conjunto dos países pertencentes à OCDE, o fosso entre Ricos e Pobres é o maior dos últimos 30 anos. E os 10% mais ricos têm rendimentos 9 vezes maiores que os 10% mais pobres.

Teorias - de manuel a. domingos (II)


manuel a. domingos
Teorias
tiragem única de 100 exemplares
composição, paginação e ilustração de Sérgio Nogueira
Edição de Autor


Já podem fazer encomendas ao autor: manueldomingos(arroba)gmail.com

domingo, 4 de dezembro de 2011

Euro «O Nosso Dinheiro» e o seu 10.º Aniversário




O «nosso dinheiro» circula desde 1 de Janeiro de 2002: as notícias do seu 10.º aniversário não serão claramente exageradas?! Amanhã saberemos os efeitos do «decreto Salva-Itália»*. Atenas já tombou. Roma está a arder. Se o «nosso dinheiro» não se salvar, não será apenas uma moeda a acabar: consigo arrastará uma civilização.

Artigos a ler: Os novos descamisados; Bagão Félix admite que a moeda única pode acabar (é a segunda vez que concordo com ele, sem reservas, após a posição contra a «privatização dos lucros e socialização dos prejuízos» - cito de memória - relativa ao processo que levou à «nacionalização» do BPN); Merkel e Sarkozy querem novo tratado europeu até Março (estes dois em vez de andarem de tratado em tratado, de abraço em abraço, de beijinho em beijinho, que juntem os trapos e que tratem da vida: mas deixem a Europa em paz). Arriscam uma aposta?

Vídeo visto n'O Insurgente.

*Notícia do La Stampa. Via Da Literatura.  

Zach Wahls fala sobre a Família




Visto, entre outro locais, aqui: Testemunho; aqui: Coisas importantes; e antes através do facebook e do twitter.

Primeiro-Ministro Miguel Relvas vaiado no XIII Congresso da ANAFRE




Houve debandada geral aquando do início da intervenção do Ministro da Presidência, Miguel Relvas, no XIII Congresso ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), seguida de diversas interrupções e vaias por parte dos congressistas que continuaram no pavilhão.

É em momentos como este que sabemos que somos estrangeiros no nosso próprio país: quando aquele que é o ministro* mais sombrio, sinistro, obscuro, tenebroso, e tantos outros adjectivos e epítetos, que chegou ao governo deste país, nas últimas décadas, é - eu ia dizer «humilhado», porque o que fizeram a esta criatura é «humilhante», mas sinceramente não acredito que este sujeito tenha aquilo a que se chama «simpatia», ou «empatia», embora acredite que possa ser, aparentemente, mais «empático» que qualquer um que tenha estas características, portanto não sei se terá sido «humilhado», mas vamos supôr que sim - dizia, é humilhado por causa de uma medida com a qual concordo, ao contrário de tantas outras, bem mais importantes.

Não, não é engano o título deste post.

*Domingos Duarte Lima não foi ministro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Bons Motivos para NÃO* comprar a revista LER


Agora que a crise faz com que pense em cada euro que gasto - detenho-me a olhar para as moedas de 1€ e pergunto-lhes se ainda valem mesmo 1€. Elas encolhem-me os ombros, e saem da minha mão resignadas - é raro comprar revistas e jornais que antes comprava diária, semanal, quinzenal, ou mensalmente, conforme a periodicidade de publicação. Já não me recordo da última vez que comprei o JL, o Público, ou a Visão, ou revistas sobre fotografia (a minha paixão não correspondida com uma máquina decente). Hoje comprei aquele jornal semanal que tem aquele director abjecto. Sim, já li mais de 50 dos cerca de 80 livros de Agatha Christie, embora os serial killers e os pseudo-assassinos em série não sejam bem a sua especialidade.
Tudo bons motivos para não comprar a Revista Ler: e *não, não estou a ser irónico, embora a maior parte das vezes o seja: agora até o Mário Soares é capa da Revista Ler: haja pachorra, como diz o Outro. Que saudades do tempo em que a revista era trimestral...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL



As primeiras 3* pessoas a enviarem-me um e-mail** com a morada, recebem um postal de Natal igual a este. Quem tiver vergonha, ou chegar depois, pode sempre imprimir esta imagem.E não esperem que vos volte a desejar «Feliz Natal». Agora só volto a desejar-vos qualquer coisa aquando da passagem de ano. Embora tema que tomem as minhas palavras por sarcásticas: tenho que encontrar uma palavra para substituir o adjectivo «próspero». E não sei se direi ano «novo», porque parece-me que estamos a caminhar para anos «velhos»...


*Foram os que me sobraram do ano passado; não há dinheiro para mais, e ainda tenho que comprar o selo...

**[andrebenjamim{arroba}gmail(dot)com]

Harry Potter e Yoga*



*Já li os 7 volumes de Harry Potter, mas não pratico Yoga. Devo ficar preocupado? Ok!, Ok!, Eu vou começar a praticar imediatamente!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain - livros que nunca devia ter lido, 12

A primeira vez que tentei ler As Aventuras de Tom Sawyer, tentei fazê-lo em Inglês. Não porque o meu Inglês fosse então suficiente para tal empreendimento, mas porque aquela prateleira daquela estante, com uma colecção de livros que eram os grandes clássicos da Literatura Infanto-Junvenil, tinha um apelo irresistível para mim, a cada vez que entrava na biblioteca da escola secundária. Eram livros como todos os livros deviam ser: capa dura, folhas espessas, daquelas que dá prazer ficar a folhear, e em que as letras impressas não são apenas letras, sílabas, palavras, frases... Folhei-os a todos, ainda que não chegasse a ler mais que algumas frases em cada um deles. De cada vez que entrava na biblioteca, por motivos lúdicos ou académicos, tirava os livros que precisava das estantes, e tirava também um daquela coleccção: só pelo prazer de lhes pegar e de os levar comigo para a secretária onde me ia sentar. Penso que havia um limite de livros que podíamos tirar de cada vez, e era regra não os repôr nas estantes, mas entregá-los à bibliotecária. Mas com o tempo passei sobre essa restrição, uma vez que a biblioteca era frequentada por poucos, e os poucos que a frequentavam era por motivos académicos. Recordo-me agora que na época foram instalados os primeiros computadores, e um deles tinha ligação à internet. Também em volta dos computadores estavam sempre os mesmos. E eu acabei também por me iniciar neste maravilhoso mundo.

Fernando António Nogueira Pessoa


Fernando António Nogueira Pessoa

[Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935]


I know not what tomorrow will bring

Polícia de Segurança Pública?


Polícia de Segurança Pública, diz o nome desta agremiação terrorista com «missões de defesa da legalidade democrática, de garantia da segurança interna e de defesa dos direitos dos cidadãos». Esta agremiação está hoje ao serviço do XIX Governo que não honra nem respeita as funções para as quais foi empossado a 21 de Junho de 2011 [Eu, abaixo-assinado, afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade* as funções que me são confiadas]. Como tal deveria ser de imediato destituído das funções pelo Presidente da República Portuguesa.

Vivemos hoje num Estado onde o Agressor investiga as Agressões sobre o Agredido. Num Estado onde o Governo, através desta agremiação de seu nome Polícia de Segurança Pública, leva a cabo desacatos e provocações com fins obscuros - talvez para justificar repressões, inibições, proibições... Acabar com a Democracia e a Liberdade. Um Estado onde se agridem cidadãos impunemente.

 *Lealdade, substantivo feminino, Qualidade de leal**; fidelidade; sinceridade; acção leal.

**Leal, adjectivo, Conforme com a lei; sincero; honesto; fiel; substantivo masculino, moeda de prata, que na Índia Portuguesa valia 12 réis; antiga moeda portuguesa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

livros que nunca devia(m) ter lido


Já participaram nesta iniciativa o João Pedro Lopes e a Olinda P. Gil. Mais textos vêm a caminho. Participem também. Esta iniciativa está aberta a todos os que queiram participar.

Já vivi num país assim. E não gostei.*



Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os “remediados” só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia “mais tenrinho” para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse “a fénico”. Não, não era a “alimentação mediterrânica”, nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência. 

Isabel do Carmo, no público de 28/11/2011. Texto completo pode (e deve) ser lido aqui.

domingo, 27 de novembro de 2011

Vá lá, Zé... É por Amor... Só uma de Cada vez...




Não sei se conhecem a história do sapo e da água quente? [Em Janeiro ainda havia alguém do PSD que falava nela, agora não sei se haverá?] Pois bem, se conhecem nunca é demais repeti-la. Se não conhecem, pensem nela. E apliquem-na às vossas vidas, ao País, à Europa, ao que quiserem... Assim é:

Se colocarem um sapo num recipiente com água e a aquecerem aos poucos até ferver, o sapo deixa-se estar, acabando por morrer cozido. Pelo contrário, se colocarem um sapo num recipiente com água já a ferver, o sapo poderá sofrer algumas queimaduras, mas salta dali para fora, vivinho da silva, como sói dizer-se.

Assim é o que estão a fazer aos Portugueses. Um corte aqui, um recorte ali, mais um furo no cinto de si já apertado, mais um sacrifício pelo país, empobrecer mais um pouco, tomar banho menos vezes, uma por semana no máximo, menos uma refeição por dia, mais uma taxa ali, outra além, mais um imposto extraordinário. E assim se encontram os Portugueses: uns quase despidos, outros remendados, à espera que a quentura páre de subir, suspirando de alívio quando o volume do bico do gás só aumentou para o vizinho, resignados quando aumentam a chama também para o seu lado, a morrer aos poucos.

Saltem daqui para fora enquanto ainda têm forças! Porque vai chegar o momento em que já nem forças terão para saltar do recipiente para fora! Saltem daqui para fora, feridos mas vivos!

Post também publicado no meu antigo blog.

sábado, 26 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Stathis Apostolidis, um «Malakas»


Um Grego entre muitos, post/artigo de Paulo Moura. De leitura obrigatória. (link/artigo encontrado através do blog Entre as brumas da memória).

Adenda (25/11/2011, 20:44): Não é só este post que é de leitura obrigatória. Todo o blog deve ser lido!

25 de Novembro



A vida humana é limitada, mas eu gostava de viver para sempre.

(Escreveu Yukio Mishima na nota deixada sobre a sua secretária, a 25 de Novembro de 1970, antes de sair de casa pela última vez. Depois suicidou-se, num ritual conhecido como seppuku. Antes ainda enviou o último volume da tetralogia O Mar da Fertilidade, A Ruína do Anjo, ao seu editor, e tentou um Golpe de Estado.)

Tão perto do puro azul do céu*


*Espectáculo Comemorativo do 812.º Aniversário da Cidade da Guarda, onde Música, Dança, Cinema, Fotografia e Vídeo se misturam. O espectáculo estreia amanhã, Sábado, 26 de Novembro (21h30) no Grande Auditório e sobe novamente ao palco no Domingo, dia 27 de Novembro (16h00).
Com produção do TMG (para a Câmara Municipal da Guarda), coordenação e encenação de Américo Rodrigues, e selecção de textos de António Godinho Gil.
No lote de autores escolhidos constam nomes como Alberto Dinis da Fonseca, António Monteiro da Fonseca, Augusto Gil, D. Sancho I, Eduardo Lourenço, João Bigotte Chorão, João Patrício, José Augusto de Castro, José Manuel S. Louro, José Monteiro, Ladislau Patrício, manuel a. domingos, Miguel Torga, Osório de Andrade, Pedro Dias de Almeida, e Políbio Gomes dos Santos, entre outros.
Em Palco, como protagonista /narrador, estará José Neves, actor residente do Teatro Nacional D. Maria II. E estarão também músicos e dançarinos. Haverá projecção de um filme e diversos vídeos produzidos especialmente para o espectáculo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Junta de Bois - Citação, 17


Por ter morrido quando eu ainda era muito novo não o conheci a pontos de o entender, o meu avô. Lembro-me dele, samarra pelos ombros, autónomo e viúvo, seco e alto. E de uma das últimas coisas que me disse ao ver passar a família – da qual o outro que não podia dar mais que o comer ao ganhão era patriarca -, a caminho da missa um domingo de manhã: que quando pensasse em comprar uma junta de bois ou qualquer coisa do género numa terra que não conhecesse que fosse ao domingo, e que visse quem estava à missa. Que com os da frente que não fizesse negócio. Gente velhaca, – seriam os primeiros a enganar um homem. A regra do velho homem é boa, pelo que pude observar. Apesar de juntas de bois já não haver quem as venda. Que se afaste a gente das primeiras filas da vida e da sua fauna; por não se encontrar de ordinário lá nada que valha vinte e cinco tostões. Dos dele – bem entendido. Nesta vida incerta até o valor real ou nominal do dinheiro varia: consoante a mão.

soliplass, no post Vint’cinco tostões, no blog Âncoras e Nefelibatas.

Porque eu NÃO sou PARASITA...


... Porque se fosse estava no Governo...

Anjo Caído, de Lauren Kate

O livro que Olinda P. Gil nunca devia ter lido.

O Anjo Caído, Lauren Kate

E era por isso que estava a entrar no seu último ano de liceu no Sword & Cross, um mês inteiro depois de o ano académico ter começado. Ser uma aluna nova já era suficientemente mau e Luce sentira-se realmente nervosa com a perspectiva de ter de ingressar numa turma onde toda a gente já estava instalada. Mas pelo aspecto da coisa nesta visita guiada, não era o único jovem a chegar hoje.
Arriscou uma olhadela para os outros três estudantes, de pé, num semicír­culo à sua volta. Na sua última escola, o colégio particular de preparação para a faculdade em Dover, fora na visita ao campus, no primeiro dia, que conhecera a sua melhor amiga, Callie. Num campus onde todos os outros alunos tinham sido praticamente desmamados juntos, o facto de Luce e Callie serem as úni­cas que não eram filhos de antigos alunos deveria ter sido suficiente. Mas as duas raparigas não demoraram muito a perceber que sentiam exactamente a mesma obsessão pelos mesmos filmes antigos, em especial pelo actor Albert Finney. Depois de descobrirem, no seu ano de caloiras, ao assistirem a Two for the Road (Caminho para Dois), que nenhuma delas conseguia cozinhar um saco de pipocas sem fazer disparar o alarme de incêndio, Callie e Luce nunca mais se tinham separado. Até que... até que teve de ser.
Hoje, ao lado de Luce, encontravam-se dois rapazes e uma rapariga. A rapariga parecia fácil de definir, loira e de uma beleza tipo anúncio da Neutrogena, com unhas arranjadas de um rosa pastel que combinava com o dossiê de plástico.
- Chamo-me Gabbe.
Falou de forma arrastada, lançando a Luce um grande sorriso que desapareceu com tanta rapidez como tinha surgido, antes mesmo de Luce poder dizer-lhe o seu próprio nome. O interesse minguante da rapariga lembrou-lhe mais uma versão sulista das miúdas de Dover do que alguém que se esperaria encontrar no Sword & Cross. Luce não conseguiu decidir se este facto era ou não reconfortante, nem conseguiu imaginar o que uma rapariga com este aspecto estaria a fazer no reformatório.
À direita de Luce estava um tipo de cabelo castanho curto, olhos casta­nhos e uma leve camada de sardas no nariz. Mas o modo como nem sequer olhou para ela e como continuou simplesmente a roer um espigão na unha do polegar deu a Luce a impressão de que, como ela, estava provavelmente ainda atordoado e embaraçado por se encontrar nesta escola.
O tipo à esquerda, por outro lado, encaixava-se com demasiada per­feição na imagem que Luce tinha deste lugar. Era alto e magro, com um saco de DJ ao ombro, cabelo preto desgrenhado e olhos verdes grandes e encovados. Os lábios eram cheios e de um cor-de-rosa natural que a maioria das raparigas daria tudo para ter. Na parte de trás do pescoço, uma tatuagem preta com a forma de raios de Sol a surgirem por entre nuvens parecia quase brilhar na pele clara, erguendo-se acima da gola da T-shirt preta.
Ao contrário dos outros dois, quando este tipo se virou para a fitar, sustentou-lhe o olhar e não desviou os olhos. A boca firmava-se numa linha direita, mas os olhos eram calorosos e vivos. Olhou-a fixamente, tão imóvel como uma escultura, o que fez com que Luce se sentisse também pregada ao chão. Susteve a respiração. Aqueles olhos eram intensos, sedutores e, bem, um pouco desarmantes.

Excerto de Anjo Caído, de Lauren Kate.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pedro Passos Coelho, o Banho, e a Vidinha.



Caras amigas e amigos,

Nas últimas semanas esta wall tem recebido milhares de posts, vindos de Portugueses de todo o mundo. Como imaginam, e especialmente num momento tão complicado, é-me impossível acompanhar todos eles, mas a minha equipa faz-me chegar muitos dos vossos posts e leio-os com atenção. Considero ser verdadeiramente importante conhecer as histórias e preocupações dos Portugueses reais, de modo a nunca me esquecer que as decisões difíceis que tomo medem-se não só em números e percentagens, mas em vidas e sacrifícios (1).

Desde que anunciei, no dia 13 de Outubro, as medidas mais duras do Orçamento de Estado para 2012, muitas têm sido as mensagens de frustração ou desespero que li nesta página. Mensagens como a da Ana Isabel Albergaria que escreveu “ Exmo Sr Primeiro Ministro. Votei no senhor e ainda acredito que está a fazer o melhor que pode e sabe. Preciso muito da sua ajuda. É sobre o meu orçamento familiar. Até aqui o ordenado nunca chegava ao fim do mês. Era com os subsídios de natal e férias que eu conseguia equilibrar as finanças, pagar seguros, contribuições, irs, ou outra despesa extraordinária, como um par de óculos. Já cortei tudo... mas as despesas não essenciais. Tomo banho só uma vez por semana, só acendo uma lâmpada, dispensei a mulher a dias, só saio no carro em casos extremos (2). Não sei mais onde cortar e o dinheiro não chega. Por favor diga-me o que hei-de fazer para poder continuar a pagar as obrigações ao Estado. Estou desesperada (3). Agradeço que me ajude e dê sugestões de como equilibrar as minhas finanças.”

Como a Ana Isabel, muitos de vocês estão assustados com o desafio que temos de enfrentar. Mas acredito também que, por mais que estes sacrifícios nos custem, sabemos hoje que não podemos mais fechar os olhos aos erros do passado (4). O momento de rescrever o futuro dos nossos filhos é agora e eu acredito que vamos consegui-lo.

Felizmente tenho descoberto também nesta plataforma que muitos são os Portugueses que acreditam. Homens e mulheres inspiradores que não baixam os braços. E usando as palavras de um deles – um redactor de Oeiras chamado Richard Warrell, filho de mãe portuguesa, que escreveu “Chega. Chegou a minha hora. Vou acordar todos os dias e vou pensar no que vou fazer hoje para que amanhã seja melhor. Vou gastar menos em coisas supérfluas e mostrar aos meus filhos que é assim que deve ser (5). Vou educá-los de maneira a não caírem nos mesmos erros da minha geração e das anteriores. Esse será o meu legado e o melhor que todos podemos fazer. Estamos a desperdiçar o presente. Asseguremos o futuro. Por mim, o fim acaba aqui. Este barco não vai ao fundo.”

À Ana Isabel, ao Richard e a todos os que aqui escrevem diariamente peço que não deixem de acreditar.

As dificuldades existem e têm de ser enfrentadas. Mas vale a pena enfrentá-las e ganhar força para as ultrapassar. Trata-se também de uma oportunidade para fazermos as coisas de modo diferente para futuro. Estaremos não apenas a corrigir erros do passado mas sobretudo a construir uma perspectiva de futuro bem mais digna para os nossos filhos e para nós próprios (6).

Juntos, com trabalho, vamos conseguir.

Pedro Passos Coelho, no facebook.


O negrito é da minha responsabilidade, bem como os (números entre parênteses). Pedro Passos Coelho brindou-nos com este belo presente de Natal antecipado, uma verdadeira pérola, demasiado valiosa para não a guardar bem guardada. Por isso, antes que a conta no facebook, ou a publicação em questão desapareça, decidi copiá-la para aqui. E permito-me também fazer os meus comentários:

(1) Ainda bem que quando Sua Excelência toma decisões as mede também em vidas e em sacrifícios; também faz gráficos com as vidas que acabou de tramar? Já estou a imaginá-lo a dizer: «Ainda temos margem para acabar com mais dois ou três milhões de vidas» e «Esse milhão de vidas que escapa com esta medida, pode muito bem suportar mais cinco ou seis sacrifícios».

(2)(3) Até pode haver uma alminha chamada Ana Isabel Albergaria. Não é um alter-ego seu? Não é o Miguel Relvas a sussurrar-lhe ao ouvido? Olhe, a não ser que ma apresente, não acredito. Sabe, não tenho fé. Será que há alguém assim tão parvo, tão idiota, que chegado a uma situação em que só toma banho uma vez por semana [em tempos li um conto onde se dizia que as Portuguesas cheiravam mal, não sei se o Senhor Primeiro ministro corrobora isto - que conto?, sei lá - se não foi escrito pode muito bem vir a ser, ou pensa que o senhor é o único com imaginação?], como dizia, uma alminha chega a uma situação em que só toma banho uma vez por semana, só acende uma lâmpada, dispensou a mulher-a-dias (meu deus, a mulher-a-dias!), e só sai de carro em casos extremos! E qual a preocupação desta alminha? A verdadeira preocupação desta alminha é poder continuar a pagar as obrigações ao Estado! Que desespero, meu deus! Ao que isto chegou, Senhor Primeiro-Ministro! Mas o senhor está a tentar gozar com os Portugueses, ou com a inteligência dos Portugueses, Senhor Primeiro-Ministro?! Então uma alminha anda pelas ruas, fedorenta, a pé ou nos transportes públicos a cheirar a suor, e tudo isto porquê? Para pagar ao Estado!

(4) Chega! Chega Senhor Primeiro-Ministro de justificar os seus erros, as suas decisões [com gráficos a medir as vidas dispensáveis e os sacrifícios sádicos], enfim - as suas ideologias - com os erros dos outros. Então o Senhor Primeiro-Ministro quer convencer-nos a pensar no futuro, a olhar para o futuro, a reescrever (sic) o futuro, e passa o tempo a falar do passado! É o Senhor Primeiro-Ministro que vai ao volante, páre de olhar para o retrovisor, não vê o muro, desculpe, queria dizer a wall, que tem à sua frente? E olhe, o futuro não se reescreve. O futuro escreve-se.

(5) Tinha que ser um Estrangeiro - filho de mãe Portuguesa - a dar o tom moralista? Não podia ser uma tia de Cascais. Deixe-se de moralismos. Olhe que não somos todos Provincianos. Aliás, aqui na Província já quase não há ninguém - por vontade própria, ou à força, deixaremos todos de ser Provincianos.

(6) O seu modelo de dignidade intriga-me. Pobres, mas honrados. Que para ladrões estão lá os políticos e os banqueiros. Ou vice-versa. Deixe-se de arquitecturas estrambóticas. E se ainda tem um pingo de dignidade, demita-se, e leve consigo o fantoche. Ou é o senhor que é a marionete?


Adenda (22/11/2011, às 04h34m): Afinal o Richard Warrell existe mesmo. Começo a ficar preocupado! Será que a Ana Isabel Albergaria também existe?! Por vezes a realidade enfeita-se de ficção... Enfim, se existe mesmo uma alminha chamada Ana Isabel Albergaria, talvez isso me ajude a compreender, ou a entender, ou sei lá, como dizia a outra, a entender certos factos. Oh meu deus, a estas horas da madrugada quantas Anas Isabéis Albergarias suspiram no seu sono mal dormido, cogitando no pratinho de sopa que não comeram para pagar as suas obrigações ao Estado! [Espero por novos desenvolvimentos. A existir essa tal de Ana Isabel Albergaria, deve ser dali de ao pé de Aveiro,  deve ter aquele destilado sentido de humor, aquela refinada ironia, que falta aos Portugueses - humor bacoco não conta.]

Pesquisei no facebook o nome Ana Isabel Albergaria e não encontrei ninguém com esse nome. Mas existem quatro «Ana Isabel Albuquerque».

Post-Scriptum: Vale a pena relembrar o seu Curriculum Vitae, Senhor Primeiro-Ministro.

domingo, 20 de novembro de 2011

O Chão que Ela Pisa, de Salman Rushdie - livros que nunca devia ter lido, 11

O Chão que Ela Pisa, Salman Rushdie
(11) Enquanto olho para o meu exemplar de O Chão que Ela Pisa, de Salman Rushdie, tento lembrar-me da história de Vina Apsara e Ormus Cama, narrada pelo fotógrafo Rai. Mas já não me recordo. Claro que se começasse a (re)ler, depressa se acenderia na minha memória, como num enorme salão em que as luzes se vão ligando aos poucos, até se encontrar totalmente iluminado. Foi um livro que li demoradamente. Uma ou duas semanas, porque há momentos da nossa vida enquanto leitores, em que nos bastam algumas páginas por noite, antes de adormecer, para dormirmos satisfeitos.

Comprei o Chão que Ela Pisa numa tarde em que andava pelas livrarias à procura de Os Versículos Satânicos. Não os tendo encontrado, decidi que ao menos teria que comprar um livro do mesmo autor. Ainda foi num tempo em que as editoras não tinham sites na internet, e a própria internet era um bem escasso, muitas vezes pago a peso de ouro, em meias-horas num qualquer cyber-sítio. O Chão que Ela Pisa podia muito bem ser uma história de um amor impossível - não recordo a história, nem quero lembrar-me dela agora, talvez até seja a história de um amor impossível. Certo é que foi por esse motivo que me decidi por este título. Podia ser a história de um Cavaleiro Andante que segue as pisadas da sua Amada sem que alguma vez a consiga alcançar. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Rayuela, de Julio Cortázar

O livro que João Pedro Lopes nunca devia ter lido.

Rayuela, o Jogo do Mundo, Julio Cortázar

Jelly Roll estava ao piano, e à falta de melhor, marcava o compasso suavemente com o pé. Jelly Roll podia cantar Mamie's Blues balouçando-se ligeiramente, os olhos fixados num bocado de tecto falso ou numa mosca que ia e vinha nos seus olhos. Two-nineteen done took my baby away... A vida era isso, comboios que partiam e levavam os outros enquanto uma pessoa se deixava ficar na esquina com os pés molhados, a ouvir um piano mecânico e as gargalhadas a deixarem marcas nos vidros amarelentos dos salões onde nem sempre se tinha dinheiro para entrar...Two-nineteen done took my baby away...

Excerto de Rayuela, de Julio Cortázar


A minha declaração de intenções tem de ficar gravada desde o início. Para mim Julio Cortázar é de um génio literário como há poucos. Daí ter absorvido toda a sua obra como quem bebe lentamente um batido numa tarde quente de Verão, retendo o sabor de cada morango, a consistência de cada bolha da espuma e a delícia fluida de cada molécula de leite. Tendo esta relação de amor, positivamente algemado, às palavras de Cortázar, a sua obra-prima, diferente de tudo e de todos, entra a matar para o top daquilo que aqui se designa (ironicamente perfeito) como os "livros que nunca devia ter lido".

Rayuela é daqueles livros que ninguém consegue bem classificar. Se eu pudesse escrever algo na primeira página a seguir à capa, aquela primeira, sem nada, que funciona como posto de fronteira, esse Vilar Formoso dos livros, escreveria "se não quer passar a olhar para a vida de outra forma não abra este livro". Porque Rayuela marca. Rayuela define. Rayuela influencia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Puta que os Pariu!

Puta que os Pariu!, João Pedro George, Luiz Pacheco

Puta que os Pariu!, biografia de Luiz Pacheco, de João Pedro George. Quero! Um bom livro - garanto-vos! - para oferecer a muito boa gente! Gente que não lê - portanto não importa se o conteúdo lhes diz alguma coisa! Embora, sussuram-me ao ouvido, os maiores filhos paridos por uma puta, também leiam. Assim, é muito bom para oferecer a médios e pequenos paridos por uma puta!

No blog da Pó dos Livros, podem ler sobre esta obra. Uma vez que ainda não li, isto é tudo o que vos posso dizer: um bom livro para oferecer com um sorriso sarcástico!

Disponível a partir de 25/11/2011

Papa Bento XVI beija Imã



By United Colors of Benetton

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

José Saramago

José Saramago, 16/11/1922 - 18/06/2010


Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.

José Saramago, in Cadernos de Lanzarote – Diário III (citação daqui)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Caixa Geral de Depósitos - Quanto mais Pobre mais Paga

PAP: Pobres a Pagar! (link)


(Cliquem na Imagem para ampliar - se não conseguirem ler, cliquem com o botão direito do rato e escolham a opção para abrir imagem / link numa nova janela / separador)

Portanto, deixa-me ver se entendo:

  • Quem tiver 3500€ ou mais (na soma de contas à ordem, prazo, ou outros produtos de investimento), não paga nada;
  • Quem tiver conta a prazo com mais de 2500€, não paga nada;
  • Quem tiver entre 1500€ e 2500€ paga 5,20€ por trimestre (20,80€ por ano);
  • Quem tiver entre 1000€ e 1500€ paga 10,40€ por trimestre (41,60€ por ano);
  • Quem tiver menos de 1000€ paga 15,08€ por trimestre (60,32€ por ano).

Quanto mais Pobre mais Paga. Se calhar o valor gasto na publicidade ridícula do PAP - Plano Automático de Poupança - dava para pagar estas manutenções todas. Mas, obviamente, na Caixa Geral de Depósitos a única coisa que é Automática é a roubalheira descarada!

Ide para a PAP que vos pariu!

Feirinha da Cultura


Quem viver por perto, e tiver oportunidade, não deixe de passar no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda. A Feirinha da Cultura foi prolongada por mais dois dias:

A "Feirinha da Cultura em Tempos de Crise e a Pensar no Natal" foi um sucesso e por isso, o TMG decidiu prolongá-la durante os dias de hoje e amanhã (dias 15 e 16).
Para além das participações individuais, a feirinha conta com várias instituições como a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, o Instituto Politécnico da Guarda, a Associação Luzlinar, a Agência para a Promoção da Guarda e a Associação de Jogos Tradicionais da Guarda, entre outras, na colocação de produtos culturais para venda.
Livros, CD's, DVD's, Revistas, Jogos e objectos artísticos são alguns dos artigos que poderá a feira e tudo a preços simpáticos. (Informação daqui)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

23 anos - há dores que o tempo não cura.



Ele subiu a rua empedrada. Estava uma noite escura e fria. Ainda olhou para trás uma última vez, o último olhar que recordo, subiu para o tractor e partiu. Dez, ou quinze, ou mesmo vinte minutos depois estava morto. Estávamos no dia 14 de Novembro de 1988. (Texto Completo)

domingo, 13 de novembro de 2011

Teorias - de manuel a. domingos


manuel a. domingos
Teorias
tiragem única de 100 exemplares
composição, paginação e ilustração de Sérgio Nogueira
Edição de Autor
2011


Mais informações: blog do autor: meia-noite todo o dia

sábado, 12 de novembro de 2011

livros que nunca deviam ter lido


Os posts da série livros que nunca devia ter lido têm sido, em geral, os mais visitados deste blog, os mais partilhados, e os mais comentados e citados. Assim, teve este vosso anfitrião a ideia nada original, nem genial, mas ainda assim uma ideia, de abrir esta série à participação de todos os ilustres visitantes desta casa. Deste modo ficam desde já convidados todos os benévolos leitores deste blog, que queiram partilhar livros que nunca deviam ter lido, a participar nesta iniciativa. Para tal devem enviar os textos para o meu e-mail, acompanhados, de preferência, com uma citação do livro em questão, e da imagem da capa, bem como o link do vosso blog, caso possuam.

E-mail: andrebenjamim[arroba]gmail[ponto]com


Já participaram:

João Pedro Lopes - Rayuela, de Julio Cortázar;
Olinda P. Gil - Anjo Caído, de Lauren Kate;

Boa noite, Senhor Soares*


*Batam-me! Foi publicado em 2008, o livro da imagem acima, Boa Noite, Senhor Soares, de Mário Cláudio, e eu só soube da sua existência hoje, através deste post.